#93 - O Povoamento da América

Nosso tema para essa quinzena é o povoamento da América, com a participação de André Strauss, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Como os pesquisadores vêm apontando há décadas, vivemos em um período que, cada vez mais, será marcado pelos impactos causados pelas mudanças climáticas. Esse processo, no entanto, está longe de ser inédito, com a diferença que, desta vez, a ação humana é a principal causadora dessas transformações. A história da colonização do nosso continente está diretamente relacionada às mudanças no clima ocorridas no que ficou conhecido como a última Era do Gelo. As baixas temperaturas, a formação de enormes massas de gelo e a diminuição do nível do mar foram elementos fundamentais no processo de migração e ocupação humana de nossas terras a partir do continente asiático. No último século, as descobertas arqueológicas permitiram enormes avanços sobre esta questão. No Brasil, por exemplo, temos casos que ganharam grande atenção da imprensa, como o crânio de Luzia e os polêmicos achados na Serra da Capivara. No entanto, ainda que pareça paradoxal, as contínuas descobertas de sítios arqueológicos com vestígios de ocupação humana em diferentes partes do nosso continente têm aumentado as dúvidas sobre quando e como os primeiros humanos chegaram a essas terras. Como as transformações climáticas e geográficas interferiram no deslocamento dos povos do leste da Ásia? Como os seres humanos se relacionavam com a megafauna existente na América? Quais são as principais teorias sobre a ocupação do nosso continente? De que forma descobertas recentes vêm alterando esses debates? Como é possível determinar a datação dos vestígios arqueológicos encontrados? Essas e outras questões são abordadas no programa. Não deixe de conferir! Imagem do episódio: O crânio de Luzia | Museu Nacional | https://cutt.ly/BrNrtcB7 | Hora Americana, seu podcast quinzenal de história das Américas. Acompanhe nossas redes sociais: @HoraAmericana El episodio 93 está al aire! Nuestro tema para esta quincena es el poblamiento de América, con la participación de André Strauss, profesor del Museo de Arqueología y Etnología de la USP. Como los investigadores vienen señalando desde hace décadas, vivimos en un periodo en que cada vez más, será marcado por los impactos causados por los cambios climáticos. Este proceso está lejos de ser inédito, con la diferencia que, en esta ocasión, la acción humana es la principal causa de esas transformaciones La historia de la colonización de nuestro continente está directamente relacionada a los cambios climáticos acontecidos en lo que se conoce como la última Era de Hielo. Las bajas temperaturas, la formación de grandes masas de hielo y la disminución del nivel del mar fueron elementos fundamentales en el proceso de migración y ocupación humana de nuestras tierras a partir del continente asiatico. En el último siglo, los descubrimientos arqueológicos han permitido enormes avances sobre este tema. En Brasil, por ejemplo. Tenemos casos que ganaron importancia en la prensa, como el cráneo de Luzia y los descubrimientos polémicos en la Serra da Capivara. Sin embargo, aunque parezca paradójico, los continuos descubrimientos de sitios arqueológicos con vestigios de ocupación humana en diferentes partes de nuestro continente han aumentado las dudas sobre cuándo y cómo llegaron los primeros humanos a estas tierras. ¿Cómo las transformaciones climáticas y geográficas interfieren en los desplazamientos de los pueblos del este de Asia? ¿Cómo se relacionaban con la megafauna existente en América? ¿Cuáles son las principales teorías sobre la ocupación de nuestro continente? ¿De qué forma los descubrimientos recientes vienen transformando estos debates? ¿Cómo es posible determinar la datación de los vestigios arqueológicos encontrados? Esas y otras preguntas son abordadas en el programa. no deje de escuchar!
Nosso convidado

Arqueólogo professor do Museu de Arqueologia e Etnologia e coordenador do primeiro Max Planck Partner Group da USP (LAAAE - sites.usp.br/laaae). É Presidente da Comissão de Pesquisa e Inovação e professor credenciado do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do MAE-USP. Graduado em Ciências Sociais pela PUC (2006) focou nas tensões epistemológicas entre ciências humanas e biológicas. É geólogo pelo IGc-USP (2008) com ênfase em geoarqueologia e em estudos de processos de formação. É mestre pelo Dpt de Genética e Biologia Evolutiva do IB-USP (2010). Em sua dissertação apresentou uma revisão teórica sobre hipóteses geradas pela Arqueologia da Morte e caracterizou as práticas funerárias de Lagoa Santa. No mesmo período, estudou a relação entre marcadores genéticos e morfológicos como ferramentas de inferência de história populacional. Doutorou-se (2016) em Ciências Arqueológicas na Eberhard Karls Universität Tübingen, com foco na análise do registro arqueológico da Lapa do Santo e nas relações de ancestralidade do Brasil pré-colonial. Entre 2010 e 2016 foi doutorando (ABD) em evolução humana do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, com estágio no Konrad Lorenz Institute for Evolution and Cognition, na Áustria (2015). Especializou-se na emergência do gênero Homo e em métodos quantitativos, tendo desenvolvido algoritmos de deslizamento de landmarks para morfometria geométrica de alta resolução. Pós-doutorado (2017) no Centro de Estudos Avançados Tracking linguistic, cultural, biological trajectories of the human past do Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), na Alemanha, com análise de micro-desgaste dentário por microscopia confocal. Em Tübingen, foi professor visitante do Excelence Initiative do Institut für Naturwissenschaflitche Archäologie (2015-2017). Em 2019 recebeu o prêmio "Novas Lideranças em Pesquisa USP". Publicou 12 capítulos de livro e 38 artigos em periódicos como Cell, Science, Science Advances, PlosOne, American Journal of Physical Anhropology, Antiquity, Journal of Archaeological Science e Geoarchaeology. Participou da curadoria de coleções arqueológicas e paleontológicas, tendo sido responsável pelas coleções Kiju Sakai e Loca do Suin. Participou de escavações arqueológicas no Brasil (e.g. Lagoa Santa e Buritizeiros) e no exterior (e.g. Jordânia, Quênia e Romênia). Desde 2011 coordena o projeto Morte e Vida na Lapa do Santo: uma biografia arqueológica dos povos de Luzia (sites.usp.br/lapadosanto/), sendo responsável pela escavação do sítio. Desenvolveu um software de gerenciamento de escavação e implementou técnicas avançadas de documentação arqueológica. Coordena convênios internacionais de pesquisa com a Universidade de Nanterre, Universidade de Toulouse, Instituto Weizmann (Israel) e Instituto Max Planck. Foi bioarqueólogo da missão franco-brasileira na Serra da Capivara e do projeto Ecologia histórica no vale de Lambayeque, Peru. Como especialista em arqueologia virtual trabalha com a emergência do comportamento simbólico e estudou os blocos de ocre de Blombos, na África do Sul, e as conchas perfuradas do Paleolítico Superior de Ksâr Akil, no Líbano. É coordenador do projeto JP-FAPESP Histórias indígenas de longa duração, pioneiro na extração de DNA antigo no Brasil. Foi consultor forense da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República junto ao Grupo de Trabalho Perus (2015-2016). Organizou iniciativas de divulgação científica, incluindo palestras e organização de eventos junto à comunidades locais, recebendo em 2018 a Medalha Peter Lund pela Prefeitura de Lagoa Santa. Participou da organização e idealização das exposições Do Macaco ao Homem e Kiju Sakai e é curador da exposição Vida e morte na Lapa do Santo. Orienta/ou 3 pós-docs, 4 doutorados, 6 mestrados e 22 ICs. strauss@usp.br
